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Como viajar sozinha – Dicas para mulheres que querem conhecer o mundo

Você algum dia já quis muito viajar para algum lugar, tinha dinheiro e tempo para isso, mas não tinha com quem ir? Isso acontece com frequência e muita gente decide acaba adiando o sonho ou até mesmo cancelando pela falta de companhia.

Muitas agências de viagem acabam desestimulando as pessoas a viajarem sozinhas, pois os pacotes são bem mais caros se você não tem um acompanhante. Para quem já pesquisa bastante sobre viagem, sabe que viajar desempacotado é melhor por diversos motivos e um deles é justamente você poder planejar tudo exatamente como quer, sem depender da vontade de outra pessoa ou do roteiro da agência.

A primeira viagem solo

Em 2012 eu estava planejando uma super viagem para a Europa em que eu visitaria quatro países em 22 dias e conheceria lugares que até então eu só via nos filmes ou imaginava lendo livros. Dinheiro guardado, férias garantidas, inglês afiado pra passar pela imigração, muitos blogs de viagem lidos, tudo planejado, só não tinha mesmo a companhia.

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Começando bem: Irlanda

Na época meus amigos não tinham o dinheiro, tempo ou os mesmos sonhos que eu. Meu namorado na época era a pessoa mais enrolada financeiramente do mundo, era difícil até ele juntar dinheiro pra uma viagem de fim de semana, logo, uma viagem pra Europa estava fora de cogitação pra ele. Não me lembro exatamente como foi o processo de decisão, mas depois de ler tantos relatos de mulheres viajando sozinhas, pensei: se elas podem, por que eu também não posso?

Reação das pessoas

Dependendo das pessoas com quem você se relaciona, a reação delas ao saber que você pretende viajar sozinha pode ser de grande choque. Afinal, não é todo dia que eles ficam sabendo que uma menina indefesa de 21 anos vai atravessar o oceano sozinha sem ninguém para protege-la ou ainda sem ter alguém para tirar fotos junto.

Ouvi muitos absurdos do tipo e coisas piores, como: “e o seu namorado DEIXA você fazer uma coisa dessas?” Quem me conhece sabe que eu nunca pedi a permissão dele, apenas o comuniquei e ele lidou bem com isso, já que não tinha outra opção. Na minha cabeça eu tinha muito firme que, se nem os meus pais, que estavam ajudando em TUDO com a minha viagem, estavam dando palpite, por que eu iria escutar outras pessoas? Você sempre vai ouvir críticas, então já tenha seus argumentos prontos para rebater e não se deixe abalar por pessoas que tem medo de ficarem sozinhas.

Fazendo amizade na viagem solo

Antes de tudo, pare pra pensar um pouco sobre a sua vida. Se você é alguém que sempre esteve cercada por uma grande família ou sempre teve muitos amigos e acaba tendo até dificuldades de passar um tempo sozinho, isso pode te dar aquele frio na barriga ao pensar em viajar sozinha. Eu mesma, apesar de ser filha única, e por isso sempre ter meus momentos sozinha, estava acostumada a sempre ter muita gente em casa. Meus pais gostavam de dar festas, receber hóspedes, viajar, sair com amigos. Eu sempre brinco que eu já nasci com espírito Couchsurfing no sangue, eu só não sabia até então o que era isso 🙂

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Amigos pelo Couchsurfing em Roma

Quando você se acostuma a sempre ter amigos em volta, dá medo sim de chegar em algum local e ficar realmente sozinha. Não é nem por uma questão de segurança, mas porque eu gosto de conversar e dar muitas risadas, então eu tinha medo de não ter com quem fazer isso. A ótima notícia é que atualmente, viaja sozinho quem tem vontade, mas só fica sozinho quem quer.

Existem muitas formas de se conectar com outros viajantes ou até mesmo pessoas locais que podem te ajudar muito a conhecer melhor a cidade. O Couchsurfing é a principal forma, pelo número de pessoas cadastradas e cidades alcançadas. Se você não quer se hospedar, sem problemas: basta fazer um perfil bem legal e entrar em contato com pessoas que estão interessadas somente em sair pra dar uma volta, tomar uma café ou uma cerveja. Leia mais aqui: http://www.tripness.net/3-dicas-para-ter-companhia-de-viagem/

Além dele, existem outras formas de conhecer pessoas:

– Hospitality Club – parecido com o CS, mas sem tantos membros;

– Walking tour – passeios gratuitos com um guia que explica bastante sobre a cidade em troca de gorjetas (http://www.tripness.net/o-que-sao-free-walking-tours/);

– Pub Crawl – tours que passam por vários bares e terminam numa balada (http://www.tripness.net/o-que-e-pub-crawl/);

– Rent a local friend – alugue um amigo local para te guiar pela cidade;

– AirBnb – alugue um quarto na casa de alguém (http://www.tripness.net/o-que-e-airbnb/);

– Meet Up – site para formar grupos com interesses parecidos;

– Poliglota – para pessoas que querem praticar outro idioma em encontros semanais;

– grupos no Facebook para viajantes.

Pra mim a maneira mais simples ainda é hospedar-se em um hostel que tenha um ambiente que estimule as pessoas a se conhecerem e ser cara de pau: chegar no quarto coletivo e começar a conversar com quem estiver por lá. Se você não sabe o que é um hostel, leia aqui: http://www.tripness.net/o-que-e-hostel/

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Amigos de hostel em Buenos

Para onde viajar sozinha

Eu não tive tempo para fazer um teste antes, mas para quem quer começar devagar, eu aconselho a fazer uma viagem sozinha dentro do Brasil mesmo. Pode ser apenas um fim de semana, escolha uma cidade próxima ou pegue uma promoção de passagem aérea pro feriado e vá conhecer alguma capital ou cidade grande. Pesquise MUITO antes, veja listas de destino que são indicados por blogs de viagem como sendo ideais para quem viaja sozinho. Digo isso porque as pessoas podem se decepcionar ás vezes indo para uma cidade tranquila em baixa temporada e acabar não conhecendo muita gente.

Eu mesma cometi um grande erro quando fui pra Belo Horizonte sozinha. A viagem não foi muito planejada, pois eu só ia aproveitar que estaria em Minas com a minha mãe e estiquei o fim de semana em BH. Escolhi a acomodação pelo preço, pois o dinheiro estava difícil e acabei num hostel perto da rodoviária. Quem viaja bastante sabe que bairro em volta de rodoviária geralmente não é muito bom e esse não foi diferente, muito erro de principiante! Eu ficava com medo de andar sozinha e acabei gastando com táxi o que eu deveria ter gasto em uma acomodação melhor localizada.

O hostel em si tinha uma estrutura ok, mas sem nenhuma área em que as pessoas realmente pudessem interagir. Eu como boa consumidora de álcool queria sair pra conhecer os bares da cidade. Para minha tristeza, havia um encontro nacional de evengélicos em BH naquela semana e 90% dos hóspedes estavam lá para isso. No fim das contas, até fiz boas amizades por causa da minha cara de pau de chegar nas pessoas pra conversar logo no café da manhã, mas aos bares de BH mesmo nunca fui 🙁 Moral da história: pesquise bastante antes e não faça economias porcas como essa por que o barato pode sair caro.

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Italianas são sempre uma ótima companhia!

Leia todas as reviews possíveis dos que você mais gostar e veja que notas as pessoas dão para a atmosfera do local. Eu particularmente ignoro um pouco a porcentagem de cleanliness (limpeza) e dou mais valor para a atmosphere (atmosfera). O hostel vai ganhar muitos pontos comigo se ele: promove eventos noturnos, walking tours, possui um bar, incentiva as pessoas a fazerem refeições juntas, fazem promoções de bebidas ou até mesmo desligam o wifi em determinadas horas. Afinal, você não viajou milhares de quilômetros para ficar no Facebook, certo?

Conhecendo a si mesma

Tenha em mente que, mesmo que você vá para uma mega cidade, fique num super party hostel e conheça muita gente, em alguns momentos você vai ficar efetivamente sozinha. Pode ser indo de uma cidade pra outra ou indo para uma atração que só você queria conhecer ou por que alguém furou os planos.

O grande aprendizado aqui é você saber aproveitar esses momentos da viagem em que realmente estará sozinha para pensar sobre a sua vida, planejar o que fará a seguir, escrever sobre a viagem, tirar fotos de paisagens (ou selfies), observar as pessoas ao seu redor. Com isso você vai percebendo que estar sozinha não é o fim do mundo e pode até se surpreender com o quanto você aproveita mais seu tempo e sua própria companhia.

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RJ continua lindo e perigoso, e daí?

É seguro viajar sozinha?

Um dos maiores argumentos das pessoas que vão tentar te fazer desistir da viagem sozinha é a questão da segurança. Para responder a isto, é só olhar os números de assaltos, furtos e assassinatos no Brasil. Nós vivemos num país que não pode ser considerado exatamente seguro, eu mesma já fui assaltada uma vez (em São Vicente), furtada uma vez (São Paulo) e já vi furtos e assaltos acontecerem (RJ <3). Estupro então nem se fala, pois eu estudava em uma universidade linda que tinha uma rua conhecida como Rua do Estupro! Na segunda vez em Buenos Aires vi um homem tentando atirar no outro, mas continuo achando uma ótima cidade e não vejo a hora de voltar.
Com tudo isso, não quero assustar ninguém, mas quero dizer que eu não deixo de morar nessas cidades e nem de visita-las por medo do que pode acontecer. O perigo está em todos os lugares e, por sermos brasileiras, já somos mais espertinhas por natureza. Não podemos evitar que nada de mal nos aconteça seja no Brasil ou em outro país, mas podemos tomar algumas precauções que servem para qualquer lugar.

Para viajar solo, você terá que pesquisar, então nessa fase já procure saber se há algum bairro que você deve evitar, os golpes mais comuns para enrolar turistas e leia relatos de outras mulheres. Mantenha documentos e dinheiro no money belt e deixe um pouco guardado no locker do hostel. No caso de viagem ao exterior, aprenda sobre os costumes locais, saiba se as mulheres se comportam ou se vestem de um jeito específico, respeite os costumes e aprenda frases básicas na língua local. Tomando essas medidas, será muito mais fácil ter uma viagem segura e agradável.

Liberdade de viagem

No começo a viagem sozinha foi por uma necessidade, mas depois de tudo que vivi, tornou-se uma vontade. Digo sempre que o maior perigo de mulheres começarem a viajar sozinhas, é que depois não querem parar mais. A sensação de liberdade é impagável e uma vez que você começa a se sentir dona de si, é difícil voltar atrás. Os benefícios pra vida pessoal e profissional são vários, mas o principal para mim foi ter mais confiança e segurança no que eu faço. Meu inglês com certeza melhorou muito depois dessas viagens e as pessoas ao seu redor passam a te ver com mais admiração.

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Ouro Preto <3
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Amiga de hostel

Os amigos de viagem são muitos e me orgulho um pouco da forma como conheci cada um deles. No início, eu tentava me apegar mais, queria manter contato com todos, prometia visitas na Itália, na Malásia, na Austrália ou até em alguma cidade remota do Brasil. Essas visitas não foram cumpridas, mas alguns continuam no Facebook, assim eu posso lembrar um pouco da viagem cada vez que vejo uma postagem daquela pessoa.

Aprendi que a pessoa pode ser uma ótima companhia para aquela noite e que talvez vocês nunca mais se encontrem por que estava tão bom que esqueceram de pegar contato. Por outro lado, há os raros casos em que eu tive a chance de reencontrar amigos de viagem e foi maravilhoso. O ideal é ir sempre com o coração aberto e sem expectativas para poder se surpeender bastante com o que mundo tem reservado para você 😉

Se você tem experiências de viagem solo pelo mundo, conte pra gente nos comentários e nos ajude a inspirar outras pessoas a viver isso também.

 

Sobre Beatriz Lima

Beatriz Lima tem 24 anos, nasceu em Santos e é apaixonada por viagens. Com um mês de idade foi levada pra primeira e desde então já viajou pra mais de cem cidades no Brasil e no mundo e agora quer ajudar outras pessoas a conhecerem o mundo. Formada em Letras, dá aulas de inglês e gosta de ler, escrever, sair e conhecer pessoas.

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